Uma Viagem para Bolívia: Roteiros, Dicas, Atrações e Cidades | Dica de Viagem

Uma Viagem para Bolívia: Roteiros, Dicas, Atrações e Cidades

Venha conhecer um pouco da Bolívia com Saliha Rachid. Ela é produtora cultural e atualmente mora em Buenos Aires. Faz uma especialização em Gestão Cultural e Políticas Culturais na Universidad Nacional de San Martin. Uma das grandes paixões é viajar, em geral os destinos escolhidos tem um traço forte cultural. Morou também em Salvador e Cachoeira, no Recôncavo Baiano.

Por Vinicius Couto [Google+] | 16 de junho de 2013 | 0 Comments

 Por Saliha Rachid /

Aventuras na Bolívia

O Estado Plurinacional de Bolívia é um país surpreendente por suas paisagens exuberantes, por sua cultura marcante e pela amabilidade do seu povo. Com certeza, tem muito o que se conhecer e é um país que se pode voltar diversas vezes para ir a um lugar novo, a uma festa popular ou simplesmente para revisitar um local que deixou boas lembranças.

Arbol - Travessia Atacama Uyuni

Estive na Bolívia duas vezes, a primeira em 2011 com duas amigas. Saímos de San Pedro de Atacama para o Salar de Uyuni, maior deserto de sal do mundo. Uma viagem de três dias pelo deserto em um carro 4×4, geralmente dividido com pessoas de vários países. Durante a travessia paramos em diversos pontos turísticos (Laguna Verde, Laguna Colorada, Arbol de Piedra, Isla del Pescado, Hotel de Sal, etc), muitas cidades pequenas e paisagens exuberantes. Esse passeio também pode ser feito desde Bolívia até o Deserto do Atacama. Além do transporte inclui alimentação e hospedagem. Tanto em San Pedro como em Uyuni tem diversas agências de turismo que fazem o passeio, o preço em geral é o mesmo, mas vale a pena pesquisar antes de fechar, assim como se assegurar de que é uma agência idônea. Uyuni vale a visita somente pelo deserto de sal, pois não possui muitos atrativos. Tem linhas de ônibus para Potosí todos os dias, também em diversas agências.

A caminho de Mururata

Em geral viajar de ônibus pela Bolívia é uma aventura a parte, seja porque se compra um serviço que na hora não é o mesmo, seja pelas estradas repletas de despenhadeiros e motoristas dirigindo em alta velocidade, seja pelas abordagens da polícia em determinados pontos que o turista, em geral, não entende o que está acontecendo. É muito importante manter as coisas de valor, assim como documentos numa bagagem de mão e prestar muita atenção, caso tenha alguma mala no bagageiro. De resto é aproveitar as belas paisagens que essas andanças por terra permitem além de observar os moradores locais e talvez ter a sorte de conversar durante o trajeto com um e escutar histórias locais relacionadas a minas, agricultura, cultura indígena…

De Uyuni fui a Potosí, que já foi uma das cidades mais ricas e povoadas do mundo no período da colonização espanhola, no século XVI, devido a extração de minério de prata. Ainda hoje é possível fazer passeios por minas ativadas e conhecer um pouco desse trabalho. É uma cidade linda, o centro tem muitos casarões, praças (praça da República), igrejas (Iglesia de San Lorenzo, Convento Museu de Santa Teresa) e museus (Casa Nacional de la Moneda) que merecem visitas calmas. Aqui já se sente bastante o efeito da altitude, então se recomenda andar devagar, comer comidas leves, tomar muita água, dormir bem, descansar, mascar a folhar da coca (vendida na rua), tomar chá de coca e se nada fizer efeito tem as pastilhas Soroche Pills que funcionam bem. É uma cidade que possui muitas opções de hospedagem, assim como de restaurantes. A noite não é muito festiva, mas se encontra pub’s, bares e restaurantes abertos. Não deixe de experimentar a imensa variedade de sopas, quinoa e salteñas.

Um capítulo a parte de qualquer viagem a Bolívia é observar o povo, com marcantes populações indígenas. Caso se consiga um pouquinho de confiança pra emendar uma prosa é uma experiência maravilhosa, porque não há nada mais revelador e gratificante do que escutar um nativo falando de sua terra e de seus costumes. São amáveis, bem humorados, apressados e de fala bem rápida. O portuñol muita vezes não é compreendido nas ruas, mas na última ida a Bolívia (2013) descobri também que entre os outros países latino americanos é difícil a compreensão. Independente disso é interessante se esforçar para falar o espanhol. Na Bolívia eles falam também outras línguas indígenas, é comum que conversem entre eles em outras línguas, o que nos deixa cheio de curiosidade.

Rua La Paz

Outra cidade que vale muito a pena a visita é La Paz. É muito bonita de se ver desde baixo até o alto, de dia ou de noite. O centro congrega a mistura de prédios antigos com novos, de nativos e turistas andando em meio aos carros (que não param). Muito se há para fazer, ver, descobrir, comprar, caminhar, com e sem rumo. Em geral as caminhadas são mais lentas por causa do cansaço causado pela altitude, o que confere um ar de passeio calmo, mesmo quando estamos apressados. No centro estão concentrados muitos museus (Museo de Metales Preciosos, Casa de Murillo, Museo del Litoral, Museo Nacional de Arte, Museo de Etnografía y Folklore, Museo de La Coca, Iglesia de San Francisco), mercados de artesanatos e de venda de alimentos (Mercado Gramacho), mercado de las brujas (aonde se pode comprar amuletos), igrejas, restaurantes, hotéis/albergues/pousadas. Tem ainda o Valle de La Luna que é possível fazer sem agência de viagens.

Na Bolívia o mercado informal move muito a economia, então se encontra de tudo um pouco sendo vendido nos passeios, ruas e bancas. Não deixe de experimentar algum quitute, se vende muito doce, salgado e sementes nas ruas, alguns maravilhosos.

Em La Paz indico se hospedar pelo centro porque é mais fácil para se locomover pela cidade, além de estar mais próximo das atrações turísticas e da agitação noturna. Me hospedei no Residencial Latino (www.residenciallatino.com) e foi uma experiência bem legal, é limpo, organizado, tem funcionários atenciosos e boas opções de quartos, além de estar próximo a Plaza Murillo. Para comer indico: La Casona Hotel Boutique (cerca de 35 bolivianos o menu do dia no almoço), Thai Old Town (comida oriental – também cerca de 35 bolivianos o menu do dia), Café del Mundo, La Luna Pub. Tem muitas opções pelo centro, geralmente legais, com boa comida e preços acessíveis. A noite também tem opções de bares e pub’s para se divertir, indico: La Luna Pub, Tikos – Pub Alternativo, Etno Café.

Tiwanaku:

É o principal sítio arqueológico da Bolívia. É possível ver ruínas da antiga cidade, incluindo o Templo Kalasasaya e a Porta do Sol. Fica a cerca de 1:30h de La paz. Todas as agências turísticas oferecem e cobram o mesmo valor. O caminho de La Paz até Tiwanaku é tão lindo que não se sente o tempo passar. Vemos a cordilheira dos Andes, um pedacinho do lago Titicaca e pequenas vilas no meio dessa imensidão. O passeio consiste em visitar o Museu Litico, Museu Ceramico, Sítio Arqueológico de kalasasaya, Sítio Arqueológico de Pumapunku e se finaliza com um almoço num restaurante local, esse momento permite um intercâmbio com os outros visitantes, geralmente de diversos países do mundo.

 

Iglesia San Francisco

 

Mururata:

Mururata é parte de Coroico e está na região das Yungas. Durante a colonização da Bolívia muitos escravos negros foram trazidos da África, mas não suportavam o frio e os efeitos da altitude, o que gerava muitas mortes. Então se levou alguns para essa região, que está a 1.500 metros de altitude, possui temperaturas mais altas para o cultivo de coca e café. Como resultado tem-se a miscigenação entre indígenas e negros, gerando uma população afro-boliviana. Ainda hoje vive um Rei negro nesse local, com sorte é possível conhecê-lo. A paisagem é sensacional tanto em Mururata como na estrada, que nos permite vistas incríveis da cordilheira e em determinados momentos passamos por dentro das nuvens. Esse passeio pode ser feito também de bicicleta. Mururata é um povoado pequeno que muito me lembrou as tantas comunidades quilombolas que possuímos no Brasil. Tem um centro cultural, escola, vendas.

Copacabana:

Um local imperdível na Bolívia é Copacabana, às margens do lago Titicaca. Esse lago foi e continua sendo muito importante para a Bolívia e Peru, as suas margens muitas cidades foram erguidas e podem-se conhecer histórias fantásticas das civilizações incas. O lago foi uma das coisas mais lindas que já vi na vida.

Copacabana é repleto de turistas de toda parte do mundo, oferece bons hotéis, boa comida e opções de atividades para o dia (passeio a Ilha do Sol – imperdível, trilhas dentro da cidade, visita a museus, feiras, igrejas, etc) e a noite (bares e restaurantes com música ao vivo). A Ilha do Sol é linda e a travessia pelo lago Titicaca também rende bons momentos de contemplação. O passeio a Ilha do Sol é oferecido por diversas agências, em geral custa o mesmo preço. É oferecido com ida e volta e com a possibilidade de ficar na ilha (escolhi essa). É importante ressaltar que a Ilha é cara, então se torna necessário se programar caso deseje passar mais do que algumas horas.

De Copacana é possível ir a Puno e de lá a Cusco para iniciar mais uma viagem cheia de histórias, histórias e lindas paisagens.

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Mercado de Las BrujasCalle Jaen - La Paz

Uma Viagem para Bolívia: Roteiros, Dicas, Atrações e Cidades
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Category: AMÉRICA DO SUL, BOLÍVIA, DESTINOS

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